O pesquisador Cláudio Lúcio Mendes reflete sobre duas questões cruciais que rondam os jogos eletrônicos: eles são educativos? Eles podem estimular a violência?
Eu acho que esse debate sobre games nunca tera fim, vao ser sempre pessoas (politicos) lutando para retirar das prateleiras esses jogos que eles chamam de violentos contra a população que quer ter seu momento de divertimento para descontração, outro fator que ajuda muito é a intranet, se vc nao encontra o produto numa loja ou no mercado, provavelmente vc ira procurar na internet, e com certeza vc ira achar pq o mundo da internet é muito amplo, então esse debate é igual futebol/politica e religião, tudo isso nao se descute.
Excelente artigo!
Irei divulgá-lo.
Trabalho com comunicação e cultura política. A associação linear entre games e violência é do mesmo tipo que a estabelecida entre representações da violência e violência. Trata-se de um discurso canhestro, fundado em preconceitos, que virou uma espécie de lugar comum. Talvez, pelo fato de exigir muito pouco esforço de “entendimento”.
Creio mesmo que há os que o proferem por pura má fé.
Há alguns anos, em um evento sobre violência e mídia do qual participava, fique chocada com o grau de falta de seriedade por parte de uma mestranda (e de seu orientador) que apresentava uma comunicação sobre uma pretensa pesquisa acerca de um desenho animado japonês que, por um acaso, eu acompanhava. Meu filho, então com uns 6 ou 7 anos, adorava tal programa. Segundo a mestranda, o desenho era exemplo cabal da “violência gratuita” dos desenhos japonesnes e de seu “caráter nocivo” para crianças em “idade tenra”, “tão influenciáveis”. A moça pinçou frames de cenas de luta, montou um “datashow” repleto de clichês e disse que aquilo era fruto de uma pesquisa para sua dissertação. Pelo que ela falava, percebi que ela sequer se deu ao trabalho de ver um único episódio do começo ao fim, que dirá acompanhar a série, cujo tema era a “quebra de equilibrio entre civilização e natureza” e a busca (através de uma série de provas que, entre outros expedientes, envolvia artes marciais) de um xamã que lideraria os homens na solução do problema. E ela ainda pretendia estender suas descuidadas observações sobre aquela série ao conjunto dos animes.
O mais espantoso é que aparentemente fui a única pessoa presente que notei os absurdos da comunicação da referida mestranda.
E a criatura obteve uma bolsa para fazer aquilo!
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